Mais
resultados com menos investimentos
Com investimentos anuais de US$ 534 milhões, a Apple aparece
na 138 posição entre as mil empresas mundiais que injetam
dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, segundo estudo da consultoria
Booz Hamilton. A importância é modesta quando comparada
com o que a Ford (primeira da lista) investe - cerca de US$ 8 bilhões
- e até mesmo entre duas de suas principais concorrentes, a
Microsoft (US$ 6,2 bilhões) e IBM (US$ 5,8 bilhões).
No entanto, ninguém consegue ser mais inovadora do que a Apple,
fato que mereceu um comentário de Bili Gates, o “chefão”
da Microsoft: “Eu gostaria muito de ter o gosto de Steve. A
forma como ele faz as coisas é diferente”.
O segredo está na definição de prioridades, ou
seja, concentrar-se apenas em projetos superselecionados. Essa fórmula,
além de garantir a revolução do mercado para
a Apple, contribui para o equilíbrio entre inovação
e eficiência. Tanto que nos últimos seis anos, a empresa
lançou apenas dois produtos: o iPod, que transformou a história
da companhia, e o iPhone, que promete ser a grande sensação
do ano.
Por não conseguir manter esse equilíbrio, a partir da
criação do Post-it (marcador de páginas de livros
ou de documentos, que cola e descola facilmente), a 3M, que foi considerada
a empresa mais criativa do mundo, é acusada de gastar milhões
de dólares em vários projetos que levaram a lugar algum.
Na Apple, o sucesso do processo criativo é resultado do envolvimento
de todos os responsáveis pelo desenvolvimento dos produtos
ao mesmo tempo, por meio da formação de grandes equipes
multidisciplinares.
Melhoria tecnológica
Nem sempre o que faz sucesso é resultado de uma invenção,
mas de sua melhoria tecnológica. Isso também vale para
a Apple, que se aproveita de inovações de outras empresas
e as implanta em projetos revolucionários. O iPod, por exemplo,
maior sucesso da história da companhia, não foi completamente
inventado na Apple. Quando ele surgiu, já haviam tocadores
de música digital no mercado. Só que nenhum deles apresentava
desenho arrojado, muito menos era simples de se manusear.
Hoje, o aparelho não só é líder de mercado
como jamais alguém tentou produzir algo semelhante. O segredo
para afastar a concorrência, de acordo com a Apple. é
cercar-se de patentes e trabalhar com fornecedores exclusivos. O iPhone,
por exemplo, tem cerca de 200 patentes que o protegem por 17 anos.
“A Apple usa uma brilhante estratégia de delimitar seu
território por meio de patentes. É como num jogo de
xadrez: ela cerca as partes principais, e os concorrentes não
conseguem se mexer”, disse à “Exame” Fernando
Reinach, um dos mais conceituados cientistas brasileiros.
Faz parte também da estratégia da Apple exercer forte
controle sobre as fornecedoras e montadoras de seus equipamentos.
Por exemplo, um acordo com a Toshiba garante a compra por um ano de
toda sua produção de discos rígidos utilizados
nos iPod. Além de conseguir bom desconto pela compra em massa,
foi uma forma inteligente de se “fechar as portas” para
a concorrência.
Mudanças
Ser incapaz de perceber as ten é perder terreno para competidores
zes, é preciso mudar. A Apple, por exemplo, não é
a mesma empresa fundada há 31 anos. Ao deixar de ser apenas
fabricante de computadores para se tornar um dos destaques da indústria
de eletrônicos de consumo, uma das providências foi tirar
de seu nome a palavra “Computer”.
Neste processo de mudança, a empresa trocou os processadores
IBM e Motorola, que sempre foram os corações de seus
computadores, pelos da Intel, até, então, uma eterna
parceira da Microsoft. As máquinas também passaram a
“rodar’ plataforma Windows. Resultado: só no ano
passado a venda de Macintosh, nos Estados Unidos, cresceu 30%.
Lição
Outra lição dada pela Apple é que toda empresa
deve ter um bom garoto ganda para se tornar bem conhecida. Ter alguém
com as características de Steve Jobs é utopia, mas é
possível dar um grande passo se cada executivo ou empresário
despertar a atenção de seus funcionários e o
interesse do mercado.
As maiores investidoras em pesquisa e desenvolvimento (US$)
1.- Ford - 8,0 bilhões
2. - Pfizer - 7,4 bilhões
3. – Toyota - 7,2 bilhões
4. – DaimlerChrysler - 7,0 bilhões
5. - General Motors - 6,7 bilhões
6. – Siemens - 6,5 bilhões
7. - Johnson & Johnson - 6,3 bilhões
8. - Microsoft – 6, 2 bilhões
9. – IBM - 5,8 bilhões
10. - GlaxoSmithKline - 5,7 bilhões
138. – Apple - 534 milhões