Centros
de ensino adaptam cursos para indústria hoteleira
Fonte: DCI
Acompanhando um mercado em crescimento graças à expansão
hoteleira no País, diversas instituições criaram
cursos de especialização na área de administração
de hotéis. Os novos MBAs voltados para esse mercado têm
uma preocupação maior com as áreas de administração
e gestão hoteleira. A mudança é uma adaptação
do setor educacional ao mercado brasileiro, em que 75,52% dos empreendimentos
são constituídos de até 60 apartamentos, ou seja,
pequenos hotéis geridos por famílias. Grande parte deles
— 41,88% — possui menos de 20 apartamentos.
Especialistas afirmam que o setor obteve crescimento de 15% nos últimos
dois anos na hotelaria de rede é de 6 a 8% por ano na hotelaria
independente. Levantamentos indicam que os segmentos que mais cresceram
nesse período foram os de resorts e hotéis voltados a
encontros de negócios.
O Centro Europeu, que possui cursos na área de hotelaria em Curitiba
(PR), recentemente criou o MBA em Hotelaria, Turismo e Entretenimento
com o objetivo de atender a demanda. O curso trata de novos estilos
de gestão e incorpora princípios de planejamento estratégico
e gerenciamento das empresas. “Em um mercado cada vez mais exigente
não há espaço para empirismo”, opina Rogério
Gobbi, supervisor acadêmico do centro. Uma das disciplinas, Revenue
Management, trata da gestão estratégica das receitas e
objetiva ensinar como otimizar a taxa de ocupação.
Outro que acredita no potencial desse tipo de curso é o Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-São Paulo), instituição
que possui diversos cursos de extensão, técnicos e superiores.
Agora, seu portfólio conta com o curso de Gestão Hoteleira,
além do de pós-graduação em Administração
Hoteleira. “Nossos cursos de bacharelado e de extensão
são fortemente voltados para a gestão no setor com o objetivo
de especializar profissionais da área ou correlatas”, comentou
Roland Zottele, que é gerente de Desenvolvimento do Senac.
Na Castelli Escola Superior de Hotelaria em Canela (RS), o curso de
bacharelado de Hotelaria é outro destaque e possui duração
de dois anos, e a pós-graduação em Hotelaria é
feita em oito meses. “Procuramos enfocar aspectos gerenciais,
uma forte exigência de um mercado de trabalho que necessita de
recursos humanos qualificados. Além disso, todos os hotéis
independentes que não implementarem técnicas de gestão
adequadas tenderão a desaparecer”, afirma o diretor da
escola, Geraldo Castelli.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria
de Hotéis (Abih), Eraldo Alves da Cruz, há uma crescente
necessidade de estudar gestão devido à profissionalização
do mercado nos últimos dez anos. “Os alunos devem sempre
buscar cursos de aperfeiçoamento. Hoje, existem cerca de 650
faculdades de Turismo e Hotelaria no País e a tendência
é crescer”, analisa Eraldo.
Segundo ele, para este ano a previsão é que o setor hoteleiro
apresente um crescimento na faixa de 10%. Aponta, ainda, que basicamente
três modelos de gestão têm sido usados pelos empreendedores:
o arrendamento, em que a operação é feita em um
hotel previamente formatado; o franchising, cujas franquias recebem
o direito de operar a bandeira da rede dentro de regras propostas pela
franqueadora; o sistema de administração, no qual o investidor
tem forte presença na gestão do estabelecimento.
Desses três, a gerência independente tem tido destaque nos
últimos anos. “Hotéis com sistema de administração
própria, como a rede Le Canard, concorrente da rede Ibis, da
bandeira Accor, têm crescido bastante”.
De acordo com dados divulgados pela Abih, o País tem cerca de
27,5 mil empreendimentos que oferecem serviços de hospedagem,
dos quais 18 mil hotéis e pousadas, além de 7,5 mil flats
e albergues, entre outros.
Segundo a Associação Brasileira dos Gestores de Viagens
Corporativas, atualmente as viagens de negócios já são
responsáveis por 66,21% do faturamento do turismo brasileiro.
O mercado percebeu ainda que o perfil da hotelaria mudou nos últimos
anos, principalmente a partir de 1996, quando começaram a surgir
bandeiras que administraram empreendimentos de capital nacional.
Hilton e Hyatt, que fizeram grandes investimentos no País com
capital externo, deram início a uma onda na hotelaria nacional,
que tem assistido à entrada de novos grupos com recursos próprios
nos últimos cinco anos. Fundos de investimento atrelados a empreendimentos
imobiliários e provenientes de países como Espanha, Portugal
e Itália investem com constância no Brasil. Contamos com
centenas de pousadeiros de origem européia.